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terça-feira, 17 de abril de 2012

Resenha Crítica do Livro Como Reavivar a Igreja do Século 21




Aluno: Wanderson Vieira da Silva
Data: 21/03/2012


Resenha Crítica


1.Bibliografia – BURRIL, Russel. Como reavivar a igreja no século 21: o poder transformador dos pequenos grupos. 1ª ed. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2009.

2. Biografia – Russell Burrill nasceu em Haverhill, Massachusetts. Ele é de origem Batista, tornando-se um adventista no final da adolescência através do ministério da Voz da Profecia. Sua formação inclui um bacharel no Atlantic Union College, um mestrado na Universidade Andrews e um doutorado no Fuller Theological Society. Ele é casado com Cynthia Hartman, e tem dois filhos que já são adultos, ambos trabalham para a igreja. O ministério de Russell e Cynthia corresponde a sete anos como pastor em Connecticut e Maryland, seguidos de sete anos em evangelismo de tempo integral em Mountain View, Chesapeake e Conferência superior Columbia, acompanhado por outros sete anos pastoreando em Spokane, Washington e Wichita, Kansas. De 1985-2007, Russell foi Diretor do Instituto de Evangelismo da Divisão Norte Americana, na qual atuou também como Secretário Ministerial. Ele ainda lecionou na University Andrews Theological Seminary. Russell é o autor de inúmeros artigos, das lições do Seminário Profecia e onze livros: Discípulos radicais para as Igrejas Revolucionárias, Revolucão da Igreja do Século 21, The New World Order, Revolution in the Church, Recovering an Adventist Approach to Life and Mission of the Local Church, Rekindling a Lost Passion, Hope When Your World Falls Apart, Creating Healthy Adventist Churches through Natural Church Development, Waking the Dead, Reaping the Harvest and How to Grow an Adventist Church.. Além disso, foi autor de “The Pastor’s Manual for Net ‘98.”. Hoje os Burrills vivem em Berrien Springs, Michigan, onde eles continuam a servir a obra do Senhor. Desde sua aposentadoria em julho de 2007, é professor emérito de Evangelismo e Crescimento da Igreja, na Universidade Andrews. Ele atualmente está servindo também como Gerente de Rede 11.
3. Conteúdo
            Esse livro busca motivar as igrejas adventistas do sétimo dia a participarem de um reavivamento espiritual. Para tanto, Russel Burrril procura apresentar o caminho mais viável a fim de atingir esse objetivo. O meio que o autor propõe é vida em comunidade por meio de pequenos grupos.


Burril inicia a construção de sua argumentação apresentando o convívio dos membros da Trindade, que para ele é o modelo de convivência em pequeno grupo. De acordo com a sua tese, a vida em comunidade que as pessoas da Trindade – Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo – têm é o exemplo maior a ser seguido.
E esse tipo de convivência foi experimentado por Adão e Eva, quando foram criados. Para o autor, Deus se preocupou que a humanidade também vivesse em comunidade assim como Ele vivia com os outros membros da Trindade. O propósito era que essa vivência fosse reproduzida nos milhares de filhos do primeiro casal até que a terra fosse povoada por comunidades perfeitas. Para que isso fosse possível, Burril ressalta que o verdadeiro propósito do sábado era promover e desenvolver esse tipo de comunidade entre Deus e os humanos e os humanos entre si. Um dia completo semanalmente fora reservado para esse fim.
Porém, de acordo com autor, o que se presenciou na história bíblica, ainda no Jardim do Éden, foram os primeiros passos em direção à perda da verdadeira comunidade e não a sua ampliação como Deus desejava. O fator que levou a esse estado de coisas fora o pecado. Com esse elemento introduzido na natureza humana, o que seria presenciado não era mais um senso de dependência de Deus e uns dos outros, mas um espírito de independência que levaria a uma sociedade destrutível, na qual, o individualismo, a justificação própria, a ira e homicídio se proliferaria sem precedentes. A partir de então, as pessoas passaram a viver em cidades, que seria uma espécie de contrafação do plano de Deus para a humanidade. Esse tipo de convivência foi absorvido pelos grupos religiosos de então, segundo Burril.
O autor identifica também a estrutura piramidal do Egito como o clássico modelo de cidade. Nela, “quem quer que esteja no topo controla todo o sistema, e o resto da pirâmide mantém quem está em cima”[1]. Assim, as pessoas passam a buscar a qualquer custo o topo da pirâmide, e não somente isso, busca também se manter no topo. Pois quem está na parte debaixo da pirâmide, busca derrubar quem está em cima. Burril enfatiza que muitas igrejas, na atualidade, operam de acordo com a estrutura político-social egípcia. Onde a “liderança é centralizada em uma só pessoa e o restante serve abaixo dela”[2].
A fim de restaurar uma comunidade saudável como no principio da criação, Deus inicia um processo de libertação do povo israelita do império Egito. E somente longe do arquétipo piramidal egípcio, é que o Senhor começa a revelar o verdadeiro modelo de comunidade e liderança através Jetro, sogro de Moisés. Para Jetro, “Moises deveria compartilhar poder, entregando-o ao povo”[3]. A diluição do poder ocorreria ao se delegar responsabilidades para outros líderes. E cada um desses líderes ficaria responsável, no máximo, por dez pessoas ou famílias. Moisés aceitou o conselho do seu sogro, pois já não aguentava mais o estresse e o excesso de trabalho. E de acordo com Burril, esses grupos de dez pessoas ou famílias se assemelham aos pequenos grupos de hoje.


Após apresentar o conselho de Jetro a Moisés em relação ao compartilhamento de poder e a convivência em grupos menores, o autor passa a descrever o modelo que Jesus desenvolveu quando esteve aqui na terra. Cristo começou o seu trabalho escolhendo doze homens, a quem ele investiria a maior parte de seu ministério. O grupo dos dozes, segundo Burril, foi formado por pessoas e famílias disfuncionais. Jesus constantemente se reportava a eles usando palavras extraídas de um contexto de família tais como irmãos e irmãs, isso para descrever o tipo de relacionamento que deveriam ter uns com os outros. O próprio método evangelístico deveria ser desenvolvido em pequenas unidades, ou seja, de dois em dois. Desta forma, o autor pretende reforçar a necessidade de se desenvolver um ministério num contexto de pequenos grupos, e, além disso, acrescenta que uma reestruturação do papel do clero precisa ocorrer, para que a igreja de hoje se aproxime do protótipo de Jesus, no passado. Para tanto, Burril revela que as igrejas devem olhar os pequenos grupos não como parte dela, mas como a igreja. No entanto, essas reuniões não deveriam ser apenas para estudo da Bíblia, mas para promover relacionamentos.
Após dissertar sobre o pequeno grupo formado por Jesus, Burril passa a apresentar o dia-a-dia da igreja que se formou a partir dos discípulos no dia de Pentecoste. Segundo o autor, a igreja primitiva, imediatamente após o Pentecoste, já estava dividida em pequenos grupos. Os primeiros conversos foram divididos em grupos menores onde eram cuidados e alimentados. Isso porque, se eles se reunissem em grandes aglomerados poderiam chamar a atenção e causar transtorno, afirma o autor. Burril acrescenta ainda que as atividades da igreja primitiva reunida em pequenos grupos consistiam em estudo dos ensinamentos de Jesus, comunhão, o partir do pão e a oração.
Para reforçar a ideia de que a igreja primitiva já se encontrava estruturada em grupos menores, o autor lança mão dos ensinamentos do apostolo Paulo. Para Burril, Paulo continuou a implantar igrejas pelo modelo do Pentecoste em vez do modelo institucional. O apóstolo estabeleceu igrejas projetadas para serem comunidades. Eram pequenas igrejas-lares onde as pessoas podiam entrar em verdadeira comunidade uns com outros e com Cristo. Isso não fora acidental, afirma o autor. Foi uma estratégia deliberada por Paulo, em obediência ao modelo de Cristo.
Os textos bases que Paulo desenvolveu a ideia de comunidade, de acordo com Burril, são Romanos 12 e I Coríntios 12. Na passagem de Romanos, o apóstolo disserta que os cristãos são membros de um corpo – eles existem em comunidade. Os seguidores de Cristo são chamados para servir a Deus em comunidade com outras pessoas, onde podem cuidar uns dos outros, amar uns aos outros e se alegrar uns com os outros. Já na passagem de I Coríntios 12, Paulo enfatiza que nenhum indivíduo tem todos os dons. É por isso que a comunidade é necessária para o compartilhamento dos dons que criarão a integridade do corpo. Nesse modelo, os membros da comunidade que são mais fracos devem receber atenção especial. Para que não haja divisão no corpo, pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros. Burril revela também que a igreja nessa época praticava o ministério em equipe, ou seja, o evangelismo era sempre feito por uma comunidade e focalizava uma comunidade.
Tendo como base esse modelo de igreja do primeiro século, o autor, ao fazer uma aplicação dele nos dias atuais, afirma que as pessoas, antes de se encontrarem com Cristo, devem pertencer a uma comunidade, embora suas ações a inclinem a buscar seus próprios interesses (ou do seu círculo imediato). É para uma nova comunidade que sua reconciliação com Deus em Cristo as traz, embora experimentem esse acontecimento como algo pessoal.
Para Burril, é imperativo que a organização adventista hoje projete uma igreja baseada em Pequenos Grupos de pessoas que vivam em comunidade. Dentro dessa configuração, o estabelecimento de igrejas lares deve ocorrer, porém sem ser obrigatório. As igrejas maiores criariam comunidades sendo divididas em grupos menores. A liderança da igreja local e o pastor precisam está dispostos a dar poder aos grupos e a seus líderes. Frequentar as reuniões do grupo grande pode ser opcional, mas está envolvido em pequenos grupos não pode. Os ministérios dos dons espirituais é a verdadeira adoração de acordo com Paulo, diz Burril. Ele ainda acrescenta, o argumento de Paulo frisava que as pessoas não iam à igreja com o propósito de adorar, elas iam para manter comunhão.
Apesar de todo o esforço dos apóstolos em prol de uma igreja que vivia em comunidade, a apostasia foi vivenciada pela igreja. Burril argumenta que com a “conversão de Constantino, no início do quarto século, o cristianismo começou a ser tolerado e então se tornou a única religião do império. Esse foi o ponto decisivo no estabelecimento da igreja institucional”.[4] O autor nos lembra também que, mesmo com a Reforma Protestante nas doutrinas, não houve avanço na compreensão da visão de uma igreja em pequenos grupos ou comunidades. Isso só seria visto no movimento espiritual iniciado pelos irmãos wesleys.
O movimento metodista é considerado por Burril como a Reforma do verdadeiro modelo de igreja. O autor faz uma descrição de como eram as reuniões metodistas, nos primórdios dessa igreja. “Wesley oferecia dois tipos de experiência com pequenos grupos: as classes e os grupos (‘bands’). Os grupos eram opcionais; as classes eram requeridas de todos que desejavam continuar como membros”.[5] Burril relata ainda que cada grupo consistia-se de membros da mesma vizinhança e se reunia uma vez por semana por aproximadamente uma hora. Ele ressalta que líderes leigos que possuíam uma alta moral e bom senso eram escolhidos para liderar os grupos. A maioria desses líderes era mulher. Um detalhe que o autor enfatizou em relação aos grupos metodistas era que no início desse movimento e antes da morte de Wesley, falhar em frequentar regularmente essas reuniões era motivo suficiente para o indivíduo ser excluído como membro. Os objetivos dessas reuniões, na visão do autor, se resumiam em quatro: crescimento dos conversos na sua maturidade espiritual; enfatizar os relacionamentos; discipular; direcionamento dos estudos bíblicos para o relacionamento.


Ainda de acordo com Burril, o procedimento desses cultos em comunidades pequenas consistia em que todos falavam abertamente e livremente sobre o estado real do coração, com suas várias tentações e livramento desde a última reunião. Para isso, se faziam cinco perguntas, não com intenção de expressar juízo de valor, mas para responsabilizar as pessoas. Porém, o autor ressalva que com o passar do tempo e com a morte do pastor Wesley, a rigidez desse modelo de culto em relação a sua frequência e os questionamentos sofreram mudanças. Agora, não mais se exigia a frequência sem interrupção como requisito para ser membro dessas reuniões.
Continuando na linha argumentativa de Burril, no capítulo nove é apresentada a visão dos pioneiros da Igreja Adventista do Sétimo Dia em relação aos pequenos grupos, que, no contexto deles, se denominava reuniões sociais. Líderes como Uria Smith, Thiago White, J. N. Loughbough, Waggoner, F. W. Morse, G. W. A. Champaman, Haffer, Holiday e Bulettin fizeram comentários positivos acerca dessas reuniões. E não somente isso, alguns deles até argumentaram a favor delas. Burril apresenta também nesse capítulo a estrutura organizacional das reuniões sociais. Para ele, a maior parte delas ocorria após o culto dando a oportunidade de os irmãos compartilharem o que o sermão sugeria a eles. Elas também eram realizadas separadamente. A sua natureza era essencialmente relacional. Nelas ocorriam orações, testemunhos, palavra de exortação e cânticos. Em muitas ocasiões, essas reuniões eram as únicas oportunidades de irmãos congregarem. O autor afirma ainda que os irmãos pioneiros da igreja adventista sustentaram suas vidas espirituais por meio dessas reuniões. A frequência nelas era um dever para o crente. Uma das primeiras recomendações para os novos crentes era a frequência a essas reuniões até atingirem a maturidade para formar uma igreja.
Além de todos esses líderes falarem positivamente sobre as reuniões sociais, Burril nos lembra ainda que Ellen White também fez comentários relevantes em relação a elas. De acordo com White, essas reuniões eram ocasiões para confissões, compartilhamento de suas vidas em Cristo, de alegria e tristezas da vida. Alem do mais, promoviam o desenvolvimento de comunidade. Esses encontros eram tão vitais para a igreja que a mensageira do Senhor aconselhava a não negligencia-las, e até mesmo se fosse escolher entre o culto e essas reuniões, ela escolheria as reuniões. O autor ressalta ainda que Ellen White argumentava que o conduzir essas reuniões deveria fazer parte da formação dos pastores mais jovens. Elas também eram vistas por White como uma necessidade absoluta para desenvolver habilidade de trabalho para o mestre. Acrescentando-se a isso, a profetiza do Senhor arrazoa no sentido de que através dessas reuniões é que a igreja encontra energia e saúde espirituais.
Com relação ao modo de se proceder nessas reuniões, ela diz que os testemunhos apresentados deveriam ser curtos e objetivos. Alem do mais, as reuniões requeria preparo e planejamento. As orações deveriam ser curtas, objetivas e cheias de vida espiritual. Elas eram parte do processo evangelístico. As próprias reuniões corporativas da organização adventista incluíam as reuniões sociais. Por fim, Ellen White afirma, de acordo com o autor, que o propósito dessas reuniões era lidar com o aspecto relacional da vida das pessoas, incluindo seus sentimentos.


Após fazer uma explanação do pensamento dos pioneiros e de Ellen White em relação às reuniões sociais, Burril passa a expor a visão da profetiza da Igreja Adventista em relação aos Pequenos Grupos propriamente dito. Antes, porém, ele alega que “a reunião adventista primitiva era similar à nossa experiência moderna do pequeno grupo. Assim, o pequeno grupo é uma das melhores maneiras de atingir uma dinâmica relacional em nossas igrejas modernas, desde que seja relacional”[6].
Nesse capítulo o autor apresenta pelo menos doze textos extraídos dos escritos de Ellen White que fazem alusão aos pequenos grupos. Baseado nesses documentos, Burril chega as seguintes conclusões: as afirmações da profetiza é uma autenticação divina dos pequenos grupos; os membros dos pequenos grupos “deveriam se preocupar com evangelismo, oração, estudo da Bíblia, encorajamento e cuidado mútuo, e que acima de tudo eles deveriam criar comunidades”.[7] Ele também assevera que, mesmo em igrejas pequenas, deveria haver o esforço para se organizarem em pequenos grupos. Além disso, Burril ressalta que o propósito de igrejas grandes ou pequenas se organizarem em unidades menores não é simplesmente organizacional, mas principalmente relacional, ou seja, convívio em comunidade.
Outra conclusão extraída pelo autor dos textos de Ellen White, diz respeito à organização em ‘várias companhias’. Para ele, a razão porque as igrejas deveriam se organizar em pequenas companhias era para não dependerem de um pastor estabelecido. O autor também afirma que a mensageira do Senhor estimulou os pequenos grupos a oração e encorajamento mútuo, sobretudo quando a igreja estivesse reunida em grande número. Ele também ressalta que White havia advertido sobre a perseguição. E nessa advertência, a profetiza do Senhor revela que no período da perseguição não haverá a possibilidade de os irmãos se reunirem em igrejas numerosas. Por isso, segundo o autor, há necessidade das igrejas se prepararem para esse momento já vivendo em comunidade, por meio dos pequenos grupos.
Quanto ao evangelismo, o autor disserta baseado em Ellen White que o avanço da igreja nos grandes centros ou cidades deveria ser feito tendo os pequenos grupos como base do trabalho. E por fim, Burril ressalta que para White a obra do reavivamento ocorreria num contexto de igreja que tem na sua base os pequenos grupos.
Após dissertar sobre o desenvolvimento dos pequenos grupos ao longo da história bíblica, cristã do adventismo, no último capítulo de sua obra, Burril expõe uma proposta de trabalho baseada nos pequenos grupos. Para ele, nas igrejas estabelecidas, os membros devem ser divididos em grupos menores. O autor ressalta ainda que o pastor deve utilizar a estrutura do corpo de anciãos para torná-los líderes de pequenos grupos. Enquanto o pastor treina os anciãos-lideres, esses cuidam dos pequenos grupos. Porém, ele lembra que a escolha desses líderes deve ser cuidadosa. Quanto à vida em pequenos grupos, Burril aconselha que tudo que ocorrer nessas unidades necessita ser relacional. “Deve-se estudar a Bíblia nesses pequenos grupos, mas as questões relacionais não serão negligenciadas”[8].


As pessoas que visitarem os pequenos grupos devem receber assistência doutrinal durante a semana através das duplas missionárias. Uma igreja com muitos pequenos grupos pode desejar patrocinar uma série de reuniões evangelísticas ou um seminário de profecia. O papel do pastor nessa nova estrutura seria basicamente passar tempo com os líderes dos grupos e investir um tempo significativo iniciando novos grupos.



4. Propósitos

            O propósito dessa obra é basicamente oferecer uma visão bíblica e histórica do desenvolvimento dos pequenos grupos.



5. Uso de Fontes

Burril utiliza na maior parte da obra fontes secundárias. Porém, nos últimos capítulos, mais precisamente no antepenúltimo e penúltimo, ele lança mão de fontes primárias.



6. Pontos Fortes e Fracos

Seria muita pretensão de minha parte fazer esse tipo de análise, visto que sou apenas um estudante iniciante nessa área. Mas gostaria de apenas mencionar alguns pontos que julguei serem relevantes.

Em primeiro lugar, gostaria de parabenizar a obra de Burril, pois vejo nela um chamado à vivência em pequenos grupos. De fato, as igrejas adventistas deveriam repensar a sua prática em relação à comunhão dos crentes. Atender a comunidade de crentes somente através dos grupos grandes já se revelou inviável.

Em segundo lugar, destaco os capítulos que mencionam a visão dos pioneiros do adventismo, inclusive de Ellem White, sobre os pequenos grupos. Fiquei admirado com a gama de informações relacionadas à ideia de se viver em comunidades. Apesar de que eles mencionaram reuniões sociais em vez de pequenos grupos, o princípio é o mesmo. O que é impressionante é que eles já tinham a visão de que somente as grandes reuniões da igreja se demonstravam incapazes de fortalecer os fiéis e mantê-los focados no advento de nosso Senhor.

Em terceiro lugar, quero apresentar uma série de itens que merecem alguns comentários. O primeiro está relacionado à natureza dos textos bíblicos citados por Burril. Muitas das passagens escriturísticas mencionadas pelo autor são de natureza narrativa e não prescritiva. Por exemplo, o envio de Moisés com o seu irmão, não significa que Deus estava estabelecendo um novo modelo de liderança, mas isso ocorreu de forma circunstancial. A informação contida no Novo Testamento em relação às igrejas que estavam se estabelecendo tem mais características narrativas do que prescritivas. O autor bíblico está mais interessado em narrar àquilo que estava presenciando do que prescrever algum conselho a partir do fato narrado.

            Outro ponto que desejo observar é que Burril afirmou ser melhor investir na liderança das mulheres no tocante aos pequenos grupos. Isso porque elas são mais sensíveis a esse tipo de comunidade, e ainda são mais fáceis de expressar emoções. Discorde dessa afirmação, pois no modelo de Cristo, a escolha foi de doze homens. Portanto, o que nos parece é que o objetivo de Jesus em escolher essencialmente homens não visava somente compartilhar emoções. Acredito que um pequeno grupo saudável se constitui de homens, mulheres, idosos e crianças.

            Além dos dois pontos referidos anteriormente, acrescento outra observação. Talvez os modelos bíblicos apresentados nessa obra queiram evidenciar ou prescrever a formação de pequenos grupos no tocante à convivência em grupos menores. O princípio valorizado pelos textos bíblicos é o de quanto menor for o grupo, mais eficaz será a sua convivência, ou melhor, o trabalho para com grupo será mais eficiente. Isso quer dizer que na visão bíblica para cumprir a missão efetivamente, precisamos nos organizar em unidades menores, pois sempre será melhor administrá-las. Portanto, a ideia não seria o modelo de Pequenos Grupos como se prega hoje, apenas unidades menores.

            Outro ponto digno de análise está relacionado ao período da reforma Protestante relatado pelo autor. Infelizmente Burril pecou em não mencionar nenhum avanço em prol da igreja em pequenos grupos no período da reforma. Apesar de não ser um avanço substancial, há registros de indivíduos que tocaram no assunto e até mesmo escreveram sobre o tema, quando pulverizaram movimentos reformistas em toda a Europa.

            Gostaria de ressaltar ainda algo que tem que ver com a sugestão de trabalho para as igrejas, tendo como base os pequenos grupos apresentado por Burril. Na sua proposta, ele afirma que as igrejas estabelecidas deveriam ser divididas em pequenos grupos, inclusive que os anciãos deveriam ser postos pelo pastor como líderes desses grupos. Porém, o autor não menciona nada a respeito da formação do protótipo como pontapé inicial da formação dos pequenos grupos. Dividir simplesmente os membros em pequenos grupos geraria pequenos grupos despreparados e sem experiência, correndo sério risco de acabarem num futuro próximo. Apesar de utilizar o modelo de Cristo na escolha dos doze como exemplo, Burril erra em não seguir todos os passos desse arquétipo.



7. Público Alvo

                Acredito que o público alvo dessa obra são os líderes da Igreja Adventista do Sétimo Dia em seus mais diversos níveis. Desde a liderança da igreja local, até os líderes da Associação Geral.



[1] BURRIL, Russel. Como reavivar a igreja no século 21: o poder transformador dos pequenos grupos. 1ª ed. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2009, p. 44.
[2]  Idem.
[3] Ibdem, p. 48.
[4] Ibdem, p. 104.
[5] Idem, p. 107.
[7] Ibdem, p. 149.
[8] Ibdem, p. 164.

Resenha Critica do artigo de Richard M. Davidson: Interpretação Bíblica


 Resenha Crítica


1.Bibliografia – DAVIDSON, Richard M. Interpretação bíblica. In: DADEREN, Raul. Tratado de teologia: adventista do sétimo dia. 1. ed. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2011. pp. 67 - 119.

2. BiografiaRichard M. Davidson é um estudioso do Antigo Testamento e adventistas do sétimo dia. Ele é autor de dezenas de artigos publicados no Theological Journals. A partir de 2009, se tornou presidente do departamento de Antigo Testamento e professor de Exegese do Antigo Testamento no Seminário Teológico Adventista do Andrews University, Berrien Springs, Michigan. Foi presidente da Sociedade Teológica Adventista, que teve inicio a partir de 1994. Nascido na Califórnia, estudou na universidade de Loma Linda, graduando-se em 1968 com um bacharelado de artes em teologia. Dois anos depois, ganhou seu título de mestre em teologia, no Seminário Teológico da Andrews. Sua dissertação foi publicada com o título Tipologia nas Escrituras. Serviu como pastor associado de uma igreja em Phoenix, Arizona, e como pastor titular da Igreja Flagstaff, por mais de cinco anos. Foi ordenado como ministro em Prescott, Arizona, em 1974. Atualmente, é também membro da Society of Biblical Literature, da Sociedade Teológica Evangélica, e continua sendo membro da sociedade teológica adventista. Ele apresentou mais de setenta trabalhos acadêmicos em reuniões profissionais dessas sociedades e outros locais. Davidson tem escrito numerosos artigos para revistas especializadas e jornais denominacionais, bem como vários capítulos em livros acadêmicos. Estes podem ser vistos em seu site (www.andrews.edu/davidson). Outras publicações incluem os seguintes livros: A Love Song for the Sabbath (Review and Herald Publishing Association, 1988), In the Footsteps of Joshua (Review and Herald Publishing Association, 1995), Biblical Hermeneutics (in Romanian; Editura CARD, 2003), and Flame of Yahweh: Sexuality in the Old Testament (Hendrickson Publishers, 2007). Ele é casado com JoAnn Davidson Mazat que também leciona no Seminário Teológico. Eles tem dois filhos Rahel e Jonathan.

3. Conteúdo

O artigo de Richard M. Davidson trata sobre “os princípios e procedimentos básicos para interpretar a Bíblia de maneira fiel e precisa”[1], os quais formam a ciência denominada hermenêutica bíblica. Esse verbete está inserido no Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia. Ele foi confeccionado, basicamente, em seis partes. O autor inicia o artigo com uma breve introdução sobre o tema, logo em seguida, aborda os pressupostos básicos que o estudante deve ter ao iniciar o seu estudo da Bíblia, depois delineia os princípios fundamentais de interpretação bíblica, seguidos de uma apresentação das diretrizes específicas para a interpretação da escritura, posteriormente, escreve uma breve história da hermenêutica bíblica, e, por fim, finaliza o tema com os comentários de Ellen G. White relacionados ao assunto.

Na introdução, Richard Davidson faz uma exposição curta sobre o que irá tratar ao longo do verbete. Além disso, apresenta uma definição geral do tema em questão que é a hermenêutica bíblica; que para ele equivale ao conjunto de ferramentas procedimentais e conceituais para interpretar as Escrituras Sagradas.

Logo em seguida, Davidson inicia uma explanação dos três pressupostos elementares que o estudante deve ter em mente ao realizar um bom empreendimento de interpretação da Bíblia. O primeiro corresponde ao conceito bíblico de revelação, inspiração e iluminação das Escrituras, que basicamente significam apreender a Bíblia como a Palavra de Deus revelada aos profetas, registrada em limitadas palavras humana e enviada a diversos públicos especificados, no texto sagrado. O segundo pressuposto diz respeito à necessidade de se interpretar a Bíblia. Pois a mente humana é limitada para compreender o Ser Infinito, sem contar que, devido ao pecado, houve uma deterioração da capacidade mental do ser humano. Alem disso, têm surgido ao redor do globo terrestre falsificadores e corruptores da Palavra. Ainda mais, estamos “distantes dos autógrafos bíblicos em termos de tempo, .distância e cultura”[2]. O terceiro pressuposto equivale à definição e abrangência da hermenêutica. Enquanto que a definição da hermenêutica bíblica diz respeito ao “estudo dos princípios e procedimentos básicos que visam à fiel e coerente interpretação da Palavra de Deus”[3], a sua abrangência significa duas procedimentos um é entender a mensagem de Deus transmitida pelos autores bíblicos aos seres humanos e a outra é fazer uma aplicação dessa mensagem nos dias hodiernos.

Após apresentar os pressupostos básicos para compreender as Escrituras, Davidson passa a discutir os cinco princípios fundamentais de interpretação bíblica. O primeiro corresponde ao que se denominou na Reforma Protestante de sola Scriptura. Aqui, a Bíblia é apresentada como a norma final da verdade. Pois ela está em primeiro lugar em relação aos médiuns espíritas, à qualquer tradição ou filosofia humanas, à natureza, às faculdades mentais e emocionais dos seres humanos. Alem disso, a Escritura “não tem paralelo como guia infalível da verdade”[4]. Ela é suficiente como fonte de sabedoria; e também o padrão que avalia toda doutrina e experiência humanas e, alem do mais, nos fornece a estrutura e perspectiva divinas para todo o ramo do saber. O segundo princípio fundamental diz respeito à totalidade da Bíblia. Aqui, o autor afirma que “toda a Escritura – não apenas uma parte dela – é inspirada por Deus”[5]. Isso equivale à união indivisível e indistinguível dos aspectos divinos e humanos do Texto Sagrado. Alem de a Bíblia ser e não meramente conter a Palavra de Deus. O terceiro princípio está relacionado à analogia das Escrituras que significa a existência de uma unidade e harmonia fundamental entre suas diversas partes. Sendo assim, o Cânon bíblico é visto como seu próprio interprete, ou seja, cada porção dele interpreta outra porção. Ele apresenta também harmonia, visto possuir um único Autor. E alem do mais, revela clareza a tal ponto de qualquer pessoa interessada poder entendê-lo. O quarto princípio está relacionado ao aspecto espiritual. Aqui, Davidson defende a busca da iluminação e inspiração do Espírito Santo para ser ter uma compreensão coerente da Bíblia. E acrescenta a necessidade que o interprete tem de viver em harmonia com as verdades contidas nas Sagradas Escrituras.

À exposição dos princípios gerais de interpretação do Texto Sagrado é seguido pelas seis diretrizes específicas para a interpretação da Bíblia, de acordo com a estrutura do artigo. A primeira diretriz direciona o estudante a ter acesso ao que realmente constituem as Escrituras Sagradas e isso é possível, pois o texto bíblico foi preservado ao longo da história. Para se chegar ao texto como ele realmente é, o estudante deve realizar um estudo textual, mais conhecido no meio acadêmico de crítica textual. Isso porque, apesar de a Bíblia ser preservada ao longo do tempo, existem variantes textuais que precisam ser analisadas. Nesse trabalho, há a necessidade de se buscar uma tradução mais fiel ao pensamento do autor bíblico. E ela não se constitui uma tarefa fácil porque não temos equivalentes nas próprias línguas. Alem do mais, “os aspectos gramaticais e sintáticos das línguas originais nem sempre podem ser representados adequadamente na tradução moderna”[6]. Portanto, o pesquisador da Bíblia deverá optar pelo viéis mais seguro, nesse caso é a tradução formal, que segundo Davidson, é a única que apresenta uma versão mais exata e literal do original em hebraico, aramaico e grego.

Estando de posse da tradução fidedigna do Texto Sagrado, o estudante deverá, na sua empreitada de entender mais completamente a mensagem do autor bíblico, determinar qual o significado da mensagem no seu ambiente original. E isso só é possível quando se busca estudar o contexto histórico da passagem. Antes, porém, o pesquisador deve ter em mente os pressupostos históricos bíblicos que se consistem em aceitar que as pessoas, os acontecimentos e as instituições revelados nas páginas sagradas são registros históricos autênticos e confiáveis. Tendo isso em mente, o estudante partirá para analisar as questões introdutórias dos livros tais como data, autoria, situação vital dos livros, alem de verificar a cronologia, a geográfica, pesos, medidas e sistema monetários, o calendário hebraico, o ciclo das festas, a fauna e a flora, a urbanização, táticas militares, clima e agricultura. Isso não quer dizer que em toda passagem ele precisará realizar todas essas pesquisas, somente quando a situação exigir. As ferramentas úteis para essa empreitada correspondem ao volume de material histórico na Escritura, os livros apócrifos e pseudoepígrafos da Bíblia, os targuns, os materiais rabínicos posteriores, autores individuais como Filo de Alexandria e Flávio Josefos, bem como as descobertas arqueológicas por todas as partes do Oriente Próximo.

Ao se estudar os diversos aspectos históricos que envolvem o texto bíblico, Davidson salienta que o estudante poderá encontrar aparentes discrepâncias entre a Bíblia e as descobertas da história secular. Ocorrendo isso, o autor adverte que o pesquisador genuíno deve ter cautela porque em primeiro lugar várias informações históricas das Escrituras que eram contestadas pelos eruditos foram posteriormente confirmadas pelas descobertas arqueológicas. E em segundo lugar, a Bíblia não deve ficar refém das descobertas científicas, pois muitos dos seus relatos não serão confirmados, hoje, sobretudo os relatos miraculosos. Se, porém, for encontrada discrepância entre os relatos bíblicos paralelos, o estudante deverá levar em conta os seguintes aspectos delineados pelo autor: reconhecer os diferentes propósitos dos diferentes escritores, aceitar que cada escritor pode estar fazendo um relato parcial do incidente, identificar que a confiabilidade histórica não exige que os diferentes relatos sejam idênticos, observar que as convenções historiográficas aceitas nos primeiros séculos eram diferentes das de hoje, averiguar ainda que alguns milagres e ditos similares de Jesus registrados nos evangelhos sinóticos podem ter ocorrido em momentos diferentes, notar também que existem na Escritura alguns pequenos erros de transcrição, e, por fim, admitir que, por vezes, pode ser necessário não fazer pronunciamento sobre algumas aparentes discrepâncias, até que mais informações estejam disponíveis.

Dado as diretrizes específicas para interpretação das Escrituras, Davidson apresenta o próximo tópico que tem que vê com a análise literária. Essa análise se faz necessária porque a Bíblia é também “uma obra de arte literária”[7]. Esse empreendimento de análise se inicia com a determinação dos limites da passagem em estudo. E não somente isso, mas quando também se consegue identificar os tipos literários da passagem. O autor apresenta pelo menos dois tipos literários que podem se encontrado nas Escrituras: a prosa e a poesia. A primeira inclui discursos ou sermões, listas, ordenanças cúlticas, história, relatórios ou anais, autobiografia, sonhos e visões, autobiografia profética e a narrativa. O segundo tipo é composto principalmente por paralelismo. Esse pode, segundo o autor, ser sinonímico, antitético e sintético. Esse tipo literário também possui métrica. Nela é encontrado o emprego de inclusos, acróstico, símiles, metáforas, sinédoque, onomatopeia, paronomásia, e personificação.

Além desse procedimento literário, o pesquisador terá que averiguar as estruturas literárias contidas no texto para análise. De acordo com o autor, “os escritores bíblicos com frequência estruturam cuidadosamente versos, capítulos, livros e até mesmos blocos de livros segundo um modelo artístico-literário”[8]. E os dispositivos de estruturação literária mais comum são o paralelismo em bloco que é similar ao paralelismo sinonímico, e o paralelismo inverso ou quiasma. Que é articulado semelhantemente ao paralelismo antitético.

Feito isso, Davidson passa a tratar da análise verso por verso. Aqui o estudante deve fazer um exame gramatical e sintático do verso, a fim de captar o significado pretendido. Esse estudo só é possível quando se tem domínio completo da gramática e da sintaxe hebraica, aramaica e grega. E não somente isso, mas o estudante deverá realizar uma análise dos termos ou palavras vitais da passagem de estudo. Primeiro ele examina a etimologia da palavra, logo em seguida se pesquisa a raiz da palavra, depois se averigua o número e distribuição de ocorrências através da Escritura, sua amplitude semântica, acepções básicas, derivados e emprego extrabíblico. Em resumo, a palavra ou termo devem ser estudados em seu ambiente cultural, linguístico, temático e canônico.

Ainda se tratando das diretrizes específicas de interpretação bíblica, Davidson disserta sobre a análise teológica. Esse procedimento corresponde a apreender o tema teológico principal do livro, alem de captar os princípios e verdades teológicos que emergem da passagem, sem deixar de fazer um estudo temático na bíblia e verificar qual é a contribuição teológica que a passagem em questão faz ao grande tema central da Bíblia. O estudante pode lançar mão da estrutura literária para fazer esse tipo de análise, pois ela é uma ferramenta importante para identificar “a mensagem teológico ou para o estabelecimento do tema teológico central de um livro”[9]. Porém, quando o pesquisador se deparar com textos problemáticos, Davidson aconselha alguns cuidados que devem ser observados. O investigador deverá se fazer uma bateria de sete perguntas tais como: qual a visão global do caráter de Deus na Escritura? Existe na Escritura ou em material extrabíblico alguma informação adicional específico relevante para a passagem problemática? Deus age como um ‘cirurgião divino’, cortando a parte infectada para salvar todo o corpo? Compreender o pensamento hebraico resolve a dificuldade de interpretação? Qual é o ideal divino na situação descrita? A atividade divina é um artifício para chamar a atenção, para despertar Seu povo para que Lhe dê ouvidos? Existem pontos ainda não completamente explicáveis ou compreensíveis?

Alem da análise teológica, o pesquisador deverá atentar para seções das Escrituras que apontam intrinsecamente para um cumprimento alem dela mesma, tais como profecia, tipologia, simbolismo e parábola. Nas passagens que contem profecia, Davidson lembra que são dois os tipos de profecias a clássica e a apocalíptica. Para se realisar uma interpretação coerente da mensagem, é necessário verificar qual delas se encontra na passagem em questão. Já nos textos tipológicos, o autor adverte que se deve levar em conta as cinco características da tipologia. A primeira assevera que o estudo tipológico tem suas raízes na historia. A segunda e a terceira afirmam que um tipo prefigura ou representa o que está por vir, mas não de forma verbal ou explicita. A quarta lembra que a tipologia envolve uma correspondência superior. A quinta afirma que um tipo é divinamente ordenado para funcionar como uma prefiguração do antítipo. No simbolismo, Davidson escreve que o símbolo é a representação atemporal da verdade. E a parábola significa colocar ao lado para fins de comparação.

Finalizando o tópico das diretrizes básicas de interpretação das Escrituras, o autor faz alusão à aplicação contemporânea da verdade encontrada como resultado de um amplo estudo. Para tanto, deve se ter em mente três pressupostos: a mensagem da escritura como universalmente aplicável. Controle escriturístico para determinar permanência e o pressuposto de personalizar as escrituras, ou seja, fazer aplicação pessoal da mensagem bíblica.

Depois de apresentar os pressupostos, princípios e diretrizes para interpretação consistente das Escrituras, Davidson faz uma exposição da história da hermenêutica bíblica. Ela foi dividida pelo autor em seis períodos históricos. Essa exibição começa com os próprios escritores do Novo Testamento, que realizam uma interpretação do Antigo Testamento. O que se destaca na hermenêutica dos escritores neotestamentários é que eles veem as passagens veterotestamentárias no seu contexto mais amplo. Além desses interpretes das Escrituras do primeiro século, se destaca também os exegetas da primitiva hermenêutica bíblica judaica. Eles se classificam em quatro grupos. O primeiro são os indivíduos que pertencem à escola da exegese escribal antes do ano 70 d.c. Eles, segundo o autor, tinham como princípio a harmonia das Escrituras; cada detalhe do Texto Sagrado é importante. Alem do mais, defendiam que a Escritura devia ser interpretada em seu contexto; esses interpretes não acreditavam que existisse qualquer sentido secundário nas escrituras; e por fim, criam que só existisse uma única forma válida para o texto hebraico da Escritura.

O segundo grupo pertenciam ao que Davidson denominou de escola de interpretação rabínica posterior. Esses rabinos que vieram após os anos 70 d.c. adotaram a interpretação ‘natural e literal’ da Escritura como alguma mistura de abordagem ‘secreta e alegórica’. O terceiro grupo são os interprete de Qumram. A hermenêutica deles girava em torno de uma ‘interpretação de mistério’, e que qualquer exegese que fizessem o resultado teria que está relacionado com a comunidade de Qumram. O quarto grupo são os interpretes que não pertencem à tradição escriba, como por exemplo, Filo de Alexandria. Os pressupostos básicos da hermenêutica dessa escola é que o interprete é tão inspirado quanto o autor bíblico. Davidson argumenta que a autoridade máxima para esse grupo não é a Escritura, mas a imaginação subjetiva e inspirada do intérprete.

O terceiro período da história da hermenêutica apresentada pelo autor do artigo corresponde ao tempo dos cristãos pós-apóstolos. Três grupos se destacam nesse momento histórico. O primeiro são os pais da igreja como, por exemplo, Marcião que, no seu arcabouço hermenêutico, não havia espaço para o Antigo Testamento. E também Irineu, bispo de Lyon que era mais ortodoxo na sua interpretação. O segundo grupo são aqueles que abraçaram a hermenêutica de Alexandria, na qual, imperava o alegorismo de Filo de Alexandria. E o terceiro grupo diz respeito aos que aceitaram os princípios de interpretação da escola de Antioquia. Essa escola defendia princípios de interpretação extremamente opostos aos defendidos pelo grupo de Alexandria.

Dando prosseguimento ao desenvolvimento histórico da hermenêutica, Davidson introduz o método gramático-histórico da Reforma Protestante no seu verbete. Que se resume aos princípios da sola Scriptura e a Escritura como sua própria interprete.

Seguindo a Reforma, o autor passa a tratar de forma ampla sobre o método crítico-histórico. Esse tópico se divide em quatro subtópicos. No primeiro, Davidson faz um breve desenvolvimento histórico. Os eruditos que criam nessa maneira de interpretar a Bíblia foram Richard Simon, o fundador da crítica bíblica. Johann Semler que afirmava que a Escritura não foi inteiramente inspirada. E os teólogos liberais alemães que deram forma à chamada Alta Crítica. Já no segundo tópico, o autor apresenta os pressupostos da Crítica Histórica. Eles são basicamente os seguintes: a crítica propriamente dita, a analogia na qual o critério para avaliar os acontecimentos narrados na Bíblia é o momento presente, e o princípio da correlação onde “é afirmado que a história é um sistema fechado de causa e efeito”[10].

Após escrever sobre os pressupostos, o autor passa a arrolar os procedimentos da Alta Crítica. Eles se constituem em critica da fonte que “tentam reconstruir e analisar as fontes literárias que hipoteticamente serviram de base para o texto bíblico”[11]. Também faz parte dos procedimentos da Alta Crítica a crítica da redação que objetiviza “descobrir as situações vitais dos redatores/escritores bíblico que lhe fizeram modelar, modificar ou até mesmo criar matéria para o produto final que escreveram”[12]. E a crítica do cânon, procedimento recentemente descoberto, segundo Davidson. Nessa metodologia crítica se busca as situações vitais, forças sociológicas e teológicas, da sinagoga e da igreja que determinaram quais documentos seriam selecionados como canônicos.

Alem desses procedimentos da Alta Crítica, o autor apresenta outras abordagens igualmente críticas do Texto Sagrado. Essas veem o texto bíblico apenas como uma obra de arte literária como qualquer outra. Sendo assim, uma análise coerente nessa ótica, incluem como Davidson cita procedimentos de superposição tais como crítica retórica, nova crítica literária, leitura rigorosa, crítica da narrativa e a abordagem estruturalista. Sempre tendo como pano de fundo a ideia de que a Bíblia é uma obra de ficção ou mito.

Depois de apresentar os procedimentos da metodologia da crítica-histórica, o autor dedica um tópico inteiro para fazer uma ampla colação entre o método gramático-histórico e o da Alta Crítica. Essa analogia consiste em comparar a definição dos métodos, em confrontar os seus objetivos, alem de analisar paralelamente os pressupostos básicos desses métodos, e por fim contrapor os procedimentos hermenêuticos básicos dessas abordagens.

Para finalizar o tópico do desenvolvimento histórico, Davidson disserta sobre a hermenêutica baseada na Bíblia no Movimento do Advento. A metodologia hermenêutica desse movimento corresponde em aceitar que toda a Escritura é necessária para interpretá-la de forma consistente. E não somente isso, mas equivale em entender que a Bíblia é sua própria interprete. Esse método assevera que para compreender “a doutrina, deve-se reunir todas as passagens da Escritura sobre o tema”[13]. Alem disso, nessa metodologia, se aceita que Deus revelou as coisas futuras por meio de visões, figuras e parábolas, portanto, deve-se estudá-las em conjunto, pois uma profecia complementa a outra. Acrescentando-se a essa afirmação, é dito também que “um fato histórico só é cumprimento de profecia quando pode ser correlacionado com ela em todos os detalhes”[14]. Para encerra a apresentação dessa hermenêutica, Davidson salienta que “a Igreja Adventista do Sétimo Dia ratifica a hermenêutica dos escritores bíblicos, de Antioquia e da Reforma”. Em contrapartida, ela “rejeita o método alegórico de Alexandria do catolicismo medieval, bem como o Método Critíco-Histórico do Iluminismo racionalista e seus desdobramentos posteriores”[15].

O último tópico abordado pelo autor se refere aos comentários de Ellen G. White, profetiza e escritora da Igreja Adventista do Sétimo Dia em relação a uma consistente hermenêutica bíblica. Nessa parte do artigo, Davidson faz uma articulação entre os escólios da referida profetiza e os princípios, diretrizes e história da interpretação das Escrituras. Em relação à interpretação da Bíblia, a escritora e profetiza assevera em favor do princípio hermenêutico que mantém ‘a Bíblia, e a Bíblia só, como norma de todas as doutrinas e base de todas as reformas’[16]. Ela também afirma que ‘a Palavra de Deus é suficiente para iluminar a mente mais anuviada, sendo possível de ser compreendida por aqueles que têm o desejo de compreendê-la’[17]. A autora profética do adventismo ressalta também o correto princípio de inspiração da Bíblia, que segundo ela ‘a Sagrada Escritura, com suas divinas verdades, expressas em linguagem de homens, apresenta a união do divino com o humano’[18]. Ela ainda faz uma convocação para se praticar fé no princípio Tota Escriptura, quando convoca aos seus ouvintes a ‘exercerem fé implícita na Bíblia como um todo, exatamente como ela é’[19]. A escritora profética também adverte para que se aceite a autoridade divina das escrituras. Isso ela faz ao ordenar que ‘deve haver uma fé estabelecida na autoridade divina da santa Palavra de Deus’[20].

Ao tratar do papel do Espírito Santo na interpretação bíblica, Ellen White, citada por Davidson, afirma que ‘um verdadeiro conhecimento da Bíblia só se pode obter pelo auxílio daquele Espírito pelo qual a Palavra foi dada’[21].

E com relação às diretrizes específicas para interpretação da Bíblia, Davidson também apresenta comentários da profetiza do adventismo. No quesito texto e tradução, Ellen White comenta que apesar de Deus ter guardado de maneira especial a Bíblia, ao longo do tempo houve erros nos copistas ou nos tradutores. Mas também acrescenta que ‘mesmo todos os erros não causarão dificuldade a uma alma, nem farão tropeçar os pés de alguém que não fabrique dificuldades da mais simples verdades reveladas’[22]. Para o tópico contexto histórico ela contribui dizendo que ‘compreender os costumes dos que viveram nos tempos bíblicos, das localidades, dos tempos e ocorrências é conhecimento prático; pois isso ajuda a tornar claras as imagens da Bíblia, e a fazer sentir a força das lições de Cristo’[23]. Em se tratando de análise literária, a profetiza assegura que ‘... os livros da Bíblia oferecem um singular contraste de estilos e uma variedade de formas dos assuntos expostos’[24]. Quando se faz uma abordagem bíblica verso por verso a escritora profética assegura que ‘... o método de estudar versículo por versículo é muitas vezes o mais eficaz’[25].

Já na análise teológica ela faz alusão ao grande tema central quando diz que ‘o estudante deve aprender a ver a Palavra como um todo, e bem assim a relação de suas partes. Deve obter conhecimento de seu grande tema central, do propósito original de Deus em relação a este mundo, da origem do grande conflito, e da obra da redenção’[26]. Em se tratando das seções bíblicas que tem um significado alem delas mesma, White apresenta três princípios: o primeiro é que o tipo veterotestamentário ‘devia ser cumprido pelos hebreus até que ... encontrasse o antítipo’. Em relação ao segundo princípio que tem que ver com o simbolismo, a profetiza comenta que ‘a menos que seja empregado um símbolo ou figura’ a Bíblia deve ser entendida de acordo com o seu óbvio sentido. E a seção de parábolas a escritora profética explica que Jesus gostava de ensinar por esse recurso literário porque ‘desse modo, [Ele] associava as coisas da natureza e a experiência pessoal de Seus ouvintes com as sublimes verdades da Palavra escrita’[27].

Finalizando a aplicação dos escólios de Ellen White em relação à hermenêutica bíblica, Davidson também aplica os comentários dessa escritora à diretriz específica da aplicação contemporânea da mensagem das Escrituras. Ela chega a comentar que ‘cumpre que façamos aplicação correta delas [as Escrituras] aos nossos casos individuais’[28].

Para encerra o seu verbete, o autor apresenta o último tópico da quinta seção que tem que ver com os comentários de Ellen White e a história da interpretação bíblica. Aqui, a profetiza adventista tece comentários sobre a hermenêutica relativista dos rabinos quando diz que ‘os rabinos falavam duvidosos e hesitantes, como se as Escrituras pudessem ser interpretadas significando uma coisa ou exatamente ao contrário’[29]. Alem disso ela ainda denuncia o alegorismo desses líderes judaicos quando diz que ‘o sentido místico que [eles apresentavam ao povo] tornava indistinto aquilo que Deus fizera claro’[30]. De acordo com os interpretes bíblicos medievais ela chega a dizer que ‘sacerdotes e prelados sem escrúpulos interpretava os ensinos da Escritura de modo a favorecer suas pretensões’[31]. Já com relação à hermenêutica da Reforma, White a defende dizendo que ‘os grandes princípios mantidos por aqueles reformadores ... foi a autoridade infalível das Escrituras Sagradas como regra de fé e prática’[32].

Por fim, a profetiza do movimento adventista critica severamente a Alta Crítica dizendo que ‘a obra da alta crítica, em dissecar, conjecturar, reconstruir está destruindo a fé na Bíblia como uma revelação divina’[33]. E em relação à hermenêutica milerita ela elogia ao afirmar que ‘os que se ocupam de proclamar a terceira mensagem angélica pesquisam as Escrituras seguindo o mesmo plano que o pai Miller adotava’[34]

           

4. Propósitos

            O propósito de Richard M Davidson é apresentar os princípios e procedimentos básicos para interpretar a Bíblia de maneira fiel e precisa. Alem do mais, ele deseja expor de forma clara os mecanismos espúrios da crítica bíblica.



5. Uso de Fontes

            A presente obra é um artigo teológico que se baseia principalmente na pesquisa de fontes secundárias, contudo, utilizando-se restritamente, porém harmoniosamente, fontes primárias.



6. Pontos Fortes e Fracos

            Seria muita pretensão de minha parte fazer esse tipo de análise, visto que sou apenas um estudante iniciante nessa área. Mas gostaria de apenas mencionar cinco pontos que julguei serem relevantes. O primeiro é que o articulista ao tratar sobre as estruturas literárias não se utilizou de exemplos do livro de Daniel que se apresenta como uma fonte riquíssima de estruturas literárias.

            O segundo ponto está relacionado à hermenêutica do advento. Na qual, ele menciona que no adventismo recente tem se levantado “vozes que defendem uma mudança em direção a um Método Crítico-Histórico modificado que aceite o sobrenatural, mas sem perder o princípio da crítica”. O problema, aqui, ao meu ver, é que Davidson não citou exemplos dessas “vozes” e nem exemplificou como isso ocorre. Seria interessante se proceder dessa forma, pois ele citou nomes de indivíduos e suas metodologias ao longo do desenvolvimento da história da hermenêutica, porque não fazê-lo aqui. A dificuldade seria por limitação de espaço? Não creio. Acredito que o autor não deseja se comprometer com indivíduos conhecidos ou até mesmo colegas acadêmicos.

            O terceiro diz respeito ao um comentário conclusivo de Davidson em relação à hermenêutica adventista. Ele diz que “a Igreja Adventista do Sétimo Dia ratifica a hermenêutica dos escritores bíblicos, de Antioquia e da Reforma”. Acredito que essa citação é um pouco comprometedora, pois os adventistas oficialmente ratificam muitos princípios hermenêuticos, mas não todos, de Antioquia e da Reforma. Talvez se fosse tecido dessa maneira, não nos comprometeríamos com alguns procedimentos dessas escolas que não aceitamos.

            O quarto ponto relevante que gostaria de frisar tem que ver com o quadro comparativo conciso arquitetado pelo autor para contrastar os métodos crítico-histórico e gramático-histórico. Essa maneira de expor as estruturas dessas metodologias facilita muito ao leitor ter uma visão panorâmica dessas hermenêuticas.

            O quinto ponto digno de encômio diz respeito à maneira como Davidson expõe os comentários de Ellen White sobre a adequada interpretação das Escrituras. Alem de o autor recapitular uma boa parte dos princípios, diretrizes e o desenvolvimento histórico da hermenêutica, ele o faz alocando os comentos da profetiza relacionado a cada tópico.



7. Público Alvo

            Acredito que a obra uma ferramenta preliminar para todo estudante, professor de teologia e pesquisador da verdade bíblica.





[1] DAVIDSON, Richard M. Interpretação bíblica. In: DADEREN, Raul. Tratado de teologia: adventista do sétimo dia. 1. ed. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2011. p. 67.
[2] Idem, p. 69.
[3] Ibdem.
[4] DAVIDSON, Richard M. Interpretação bíblica. In: DADEREN, Raul. Tratado de teologia: adventista do sétimo dia. 1. ed. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2011. p. 70.
[5] Idem, 71.
[6] Ibdem, 80.
[7] DAVIDSON, Richard M. Interpretação bíblica. In: DADEREN, Raul. Tratado de teologia: adventista do sétimo dia. 1. ed. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2011. p. 85.
[8] DAVIDSON, Richard M. Interpretação bíblica. In: DADEREN, Raul. Tratado de teologia: adventista do sétimo dia. 1. ed. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2011. p. 88.
[9] Idem, p. 92.
[10] DAVIDSON, Richard M. Interpretação bíblica. In: DADEREN, Raul. Tratado de teologia: adventista do sétimo dia. 1. ed. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2011. p. 104.
[11] Idem, 104.
[12] Ibdem, 106.
[13] DAVIDSON, Richard M. Interpretação bíblica. In: DADEREN, Raul. Tratado de teologia: adventista do sétimo dia. 1. ed. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2011. p. 111.
[14] Idem, 111.
[15] Ibdem, 111.
[16]  Ibdem, 112.
[17]  Ibdem.
[18] Ibdem.
[19] Ibdem.
[20] Ibdem.
[21] DAVIDSON, Richard M. Interpretação bíblica. In: DADEREN, Raul. Tratado de teologia: adventista do sétimo dia. 1. ed. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2011. p. 113.
[22] Idem.
[23] Ibdem, 114.
[24] Ibdem.
[25] Ibdem.
[26] Ibdem.
[27] Ibdem, 115.
[28] Ibdem.
[29] DAVIDSON, Richard M. Interpretação bíblica. In: DADEREN, Raul. Tratado de teologia: adventista do sétimo dia. 1. ed. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2011. p. 116.
[30] Idem.
[31] Ibdem.
[32] Ibdem, 117.
[33] Ibdem.
[34] Ibdem.